- Analice Alves
Verdade seja dita, ela não existe. É apenas um conceito num livro literário ou uma definição num dicionário Aurélio. A verdade, meu caro, não passa de uma palavra, bonita, eu acho, mas inexistente na vida real. Aliás, a realidade também não existe, é uma palavra bonita e encho a boca pra monologar sobre tal, mas também é inexistente. O que existe são definições. O que não tem definição, não existe. A felicidade tem definição e existe, mas é apenas um conceito. Existe devido à definição e não é definida porque existe. Confusões a parte, prefiro acreditar que as definições são meras bobagens universitárias, que sonhar faz parte.
terça-feira, 31 de março de 2009
quarta-feira, 4 de março de 2009
Abestalhada
Abestalhado. [De a-² + besta (ê) + -alhado. ] Adj. Bras. Abobado, imbecil, tolo [q. v.].
(Novo Dicionário Aurélio. 1ª ed. 15 ª reimpressão)
- Chamam-me muito de boba, pateta, besta, abestalhada, mas não me incomoda. Abestalhada tem, por sinal, um efeito muito mais cômico do que ofensivo. Acredito que pela sonoridade e constituição da palavra.
- Não pretendo fazer uma análise fonológica, morfológica e etimológica da palavra, até porque eu não teria os conhecimentos necessários; proponho-me a uma análise simplória baseada em impressões pessoais.
- Em uma primeira análise, eu diria que abestalhada é uma mistura de abestada com atrapalhada; sendo muito mais atrapalhada do que besta. Do termo besta, entende-se por bobo, abobado. E do termo atrapalhada, entende-se por desorientada, estabanada, avoada, anuviada.Anuviada, no caso, está aplicada no sentido de quem está junto às nuvens, assemelhando-se à avoada.
- Tendo claras estas impressões, a terminação -alhada remeter-se-ia ao adjetivo alada. Pois quem está junto às nuvens, logicamente, tem asas.
- Poderíamos separar o vocábulo da seguinte forma: a-besta-alhada; que dá a impressão de pessoa besta e avoada. Uma verdadeira besta alada!
- Vejam só como o sintagma “a besta alada” nos causa uma impressão sonora semelhante à “abestalhada”. Tudo se encaixa, e a besta cria asas.
- Concluindo meu raciocínio – que desenvolvido todo de impressões pessoais, não poderia terminar de outra forma que não pessoal –, eu sou sim abestalhada, ou antes, sou uma besta alada. E repito, não me incomoda; pelo menos eu tenho asas.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
"As pessoas são mais desonestas para com o seu Deus: Ele não tem o direito de pecar." Nietzsche
As vezes me pego pensando em Deus, e nessas horas questiono se tenho fé em coisa alguma que seja. E se Deus peca, e se Deus erra? E se o escrever certo em linhas tortas, não passa de um erro? Se Deus for como um homem, o que impede-me de desejá-lo, e o que me faz adorá-lo?
Eu não sei se creio em Deus, não sei se tenho fé, não sei se sou feliz. Eu questiono, as coisas mais complexas e as mais simples. E eu vivo, e eu anseio viver.
Eu queria ser Deus, para viver em todas as coisas, estar no ar, ser livre como o vento, entrar nos pulmões dos homens, fazer parte de algo diferente a cada segundo e não ficar presa a uma forma física. Eu queria ser livre, e queria amar a todos sem culpa ou medo. Liberdade pra mim é isso, ser livre de si mesmo.
São aqueles segundos que a gente gostaria de "sumir", digamos assim. Eu os transformei num desejo constante. Eu não quero me prender, a pessoa ou coisa alguma que for, nem que seja a mim mesma.
As vezes eu penso que é resultado de alguma desilusão, mas não, sempre esteve comigo esse desejo; só cresceu ao longo dos anos, talvez pela repressão e frustração toda que eu tive em minha criação, mas já era parte de mim, sempre foi... E é essa parte de mim que me dá vontade de viver, viver, viver... E todo amor que eu tenho na vida, toda paixão que eu tenho pela vida, é por conta disso, desse meu desejo de ser imaterial. Que seja um desejo improvável de se realizar, mas que me mantenha viva... Eu queria voar, até que alguém me disse: "Não seja a folha no vento, seja o vento na folha". E hoje eu sou vento... Quando fecho os olhos e me concentro em mim, quase posso sentir eu me desfazendo no ar, feito fumaça...
Eu quero ser a aurora, quero ser o oceano, quero ser as folhas verdes e as borboletas azuis... Mas quando olho no espelho e vejo o rosto de meu pai e as atitudes que mais desaprovo de minha mãe, me vejo humana... e presa, nessa prisão pérpetua que sou eu. Um eu que nem é tão meu assim, porque eu sou a continuedade de outros. É tão triste ser sólido, feliz é sublimar...
As vezes me pego pensando em Deus, e nessas horas questiono se tenho fé em coisa alguma que seja. E se Deus peca, e se Deus erra? E se o escrever certo em linhas tortas, não passa de um erro? Se Deus for como um homem, o que impede-me de desejá-lo, e o que me faz adorá-lo?
Eu não sei se creio em Deus, não sei se tenho fé, não sei se sou feliz. Eu questiono, as coisas mais complexas e as mais simples. E eu vivo, e eu anseio viver.
Eu queria ser Deus, para viver em todas as coisas, estar no ar, ser livre como o vento, entrar nos pulmões dos homens, fazer parte de algo diferente a cada segundo e não ficar presa a uma forma física. Eu queria ser livre, e queria amar a todos sem culpa ou medo. Liberdade pra mim é isso, ser livre de si mesmo.
São aqueles segundos que a gente gostaria de "sumir", digamos assim. Eu os transformei num desejo constante. Eu não quero me prender, a pessoa ou coisa alguma que for, nem que seja a mim mesma.
As vezes eu penso que é resultado de alguma desilusão, mas não, sempre esteve comigo esse desejo; só cresceu ao longo dos anos, talvez pela repressão e frustração toda que eu tive em minha criação, mas já era parte de mim, sempre foi... E é essa parte de mim que me dá vontade de viver, viver, viver... E todo amor que eu tenho na vida, toda paixão que eu tenho pela vida, é por conta disso, desse meu desejo de ser imaterial. Que seja um desejo improvável de se realizar, mas que me mantenha viva... Eu queria voar, até que alguém me disse: "Não seja a folha no vento, seja o vento na folha". E hoje eu sou vento... Quando fecho os olhos e me concentro em mim, quase posso sentir eu me desfazendo no ar, feito fumaça...
Eu quero ser a aurora, quero ser o oceano, quero ser as folhas verdes e as borboletas azuis... Mas quando olho no espelho e vejo o rosto de meu pai e as atitudes que mais desaprovo de minha mãe, me vejo humana... e presa, nessa prisão pérpetua que sou eu. Um eu que nem é tão meu assim, porque eu sou a continuedade de outros. É tão triste ser sólido, feliz é sublimar...
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
minha mente viraria sol
Parceria - Analice Alves e Lúcia Reis
Pela janela só vejo a chuva
que inunda com seu pranto os meus olhares.
Já nem sei se são minhas essas poças no chão
Eu sinto que sim, mas acredito que não.
Quantos olhares estão perdidos nesse mar?
E quantos desamores, nesses olhares?
Já nem me vejo refletida como há pouco enxergara
As ondas me levam e o que fica é saudade.
Penso na pessoa que eu era e nos passos errados
Talvez eu possa chegar ao lugar certo errando.
Talvez o que é certo pra mim seja errado pro mundo
Pela janela só vejo a chuva
que inunda com seu pranto os meus olhares.
Já nem sei se são minhas essas poças no chão
Eu sinto que sim, mas acredito que não.
Quantos olhares estão perdidos nesse mar?
E quantos desamores, nesses olhares?
Já nem me vejo refletida como há pouco enxergara
As ondas me levam e o que fica é saudade.
Penso na pessoa que eu era e nos passos errados
Talvez eu possa chegar ao lugar certo errando.
Talvez o que é certo pra mim seja errado pro mundo
domingo, 20 de janeiro de 2008

HINO DOS MALUCOS
Nós, os malucos, vamos lutar
pra nesse estado continuar
Nunca sensatos nem condizentes
mas parecemos super contentes
Nossos neurônios são esquisitos
por isso estamos sempre aflitos
Vamos incertos pelo caminho
nos comportando estranhos no ninho
Quando a solução se encontra
um maluco é do contra
Mas se vai pro lado errado
um maluco vai do lado
Malucos, a nossa vida é dar bandeira
ligando a luz da cabeceira
se a água pinga na torneira
Malucos, a nossa luta é abstrata
já que afundamos a fragata
mas temos medo de barata
Nós, os malucos, temos um lema:
tudo na vida é um problema
Mas nunca tente nos acalmar
pois um maluco pode surtar
Os nossos planos são absurdos
tipo gritar no ouvido dos surdos
Mas todo mundo que é genial
nunca é descrito como um normal
Quando o papo se esgota
um maluco é poliglota
Mas se todo mundo grita
um maluco se irrita
Malucos, somos iguais na diferença
e todos temos uma crença:
seguir a lei jamais compensa
Malucos, somos a mola desse mundo
mas nunca iremos muito a fundo
nesse dilema tão profundo
pra nesse estado continuar
Nunca sensatos nem condizentes
mas parecemos super contentes
Nossos neurônios são esquisitos
por isso estamos sempre aflitos
Vamos incertos pelo caminho
nos comportando estranhos no ninho
Quando a solução se encontra
um maluco é do contra
Mas se vai pro lado errado
um maluco vai do lado
Malucos, a nossa vida é dar bandeira
ligando a luz da cabeceira
se a água pinga na torneira
Malucos, a nossa luta é abstrata
já que afundamos a fragata
mas temos medo de barata
Nós, os malucos, temos um lema:
tudo na vida é um problema
Mas nunca tente nos acalmar
pois um maluco pode surtar
Os nossos planos são absurdos
tipo gritar no ouvido dos surdos
Mas todo mundo que é genial
nunca é descrito como um normal
Quando o papo se esgota
um maluco é poliglota
Mas se todo mundo grita
um maluco se irrita
Malucos, somos iguais na diferença
e todos temos uma crença:
seguir a lei jamais compensa
Malucos, somos a mola desse mundo
mas nunca iremos muito a fundo
nesse dilema tão profundo
autoria:Fernanda Young / Alexandre Machado / Rita Lee / Roberto de Carvalho
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Suposições
"Mullá, qual o significado do destino?"
"Suposições"
"Em que sentido?"
"Você supõe que as coisas vão bem e elas não vão - a isto chama azar. Supõe que as coisas vão mal e elas não vão - a isto chama sorte. Supõe que certas coisas irão ou não acontecer - e na mais absoluta falta de intuição, não sabe o que irá acontecer. Você supõe que o futuro é desconhecido."
"Quando você é surpreendido - a isso chama Destino"
[tradução de Henrique Cukierman e Mônica Udler Cromberg]
"Suposições"
"Em que sentido?"
"Você supõe que as coisas vão bem e elas não vão - a isto chama azar. Supõe que as coisas vão mal e elas não vão - a isto chama sorte. Supõe que certas coisas irão ou não acontecer - e na mais absoluta falta de intuição, não sabe o que irá acontecer. Você supõe que o futuro é desconhecido."
"Quando você é surpreendido - a isso chama Destino"
[tradução de Henrique Cukierman e Mônica Udler Cromberg]
- Suposições, p. 108 in Histórias de Nasrudin; Edições Dervish - 1994
sábado, 24 de novembro de 2007
Malouquices
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